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Como fica a linguagem não-verbal com as máscaras? Neurociência explica

Fernando Gomes

29/05/2020 04h00

Com dois terços do rosto cobertos pela máscara, o grande poder expressivo do olhar se tornou a principal forma de comunicação e de transparecer emoções

Crédito: iStock

Muito mais do que uma complexa rede de nervos e músculos que intervêm no movimento das sobrancelhas, no piscar dos olhos e do movimento das têmporas, o olhar continua sendo um dos poucos recursos de expressão disponíveis em tempos de máscaras. E pode ter certeza de que é sim eficiente.

Se de um lado, com parte do rosto coberto conseguimos evitar a transmissão do novo coronavírus, de outro, essa ação modifica a maneira de disseminarmos as nossas emoções. Mas, o cérebro é rápido e sabe direitinho elevar a forma de compreender o outro – mesmo que isso tenha que ser feito, neste momento, só por trás de uma máscara.

Em tempos normais, temos a possibilidade de nos comunicamos através de três meios: pela fala, pela linguagem corporal e pela expressão facial. Quando você coloca uma máscara, você tira a informação dos dois terços inferiores do rosto, mas uma ainda se sobressai: a do olhar, que também é capaz de sorrir mesmo sem curvar a boca e mostrar os dentes.

Se os olhos são a janela da alma, eu posso te afirmar que a mente possui uma grande capacidade de adaptação ao que é novo e aqui está lançado o desafio de entender todas essas pistas não verbais inscritas nos olhos e na expressão facial na parte exposta do rosto que sobrou.

Eu explico porque isso é possível: o olhar é a parte do corpo do ser humano que mais comunica e também a que transmite conexão de maneira mais intensa. O magnetismo desses órgãos fascinantes é tão grande que muitos dos nossos comportamentos são expressados apenas no olhar, que muitas vezes, é incontrolável.

Os olhos revelam, em movimentos sutis, todo o nosso comportamento que possui a incrível capacidade de se aprofundar na mente dos outros ou ler as emoções de maneira ainda mais efetiva. Aproveite e olhe, profundamente, no olho de quem você deseja compreender mais e melhor.

Neurodicas:

Como ler as emoções através dos olhos:

  • Um piscar de olhos: O piscar de olhos excessivo é um mecanismo que coloca o cérebro em funcionamento quando nos sentimos mais nervosos do que o normal e revela quando alguma coisa nos surpreende, nos deixa indignados ou com raiva;
  • Pupila dilatada: Quando as pupilas se dilatam é sinal de que estamos vemos alguma coisa estimulante ou alguém;
  • Olhar esquivo: Quando os olhares são para os lados podem representar timidez ou mentira, a qual não consegue manter um contato visual direto e os olhos ficam esquivos;
  • Olho no olho: Essa ação, principalmente entre um casal apaixonado, revela a troca intensa de um querendo adentrar ainda mais na emoção e no sentimento do outro.
Referências:
Donato G, Bartlett MS, Hager JC, Ekman P, Sejnowski TJ. Classifying Facial Actions. IEEE Trans Pattern Anal Mach Intell. 1999;21(10):974.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

Fernando Gomes