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Fernando Gomes

Segredo para não ter insônia tem a ver com entrada de informações na mente

Fernando Gomes

10/04/2020 04h00

Crédito: Kinga Cichewicz on Unsplash

A insônia infelizmente é muito comum e acomete cerca de 40% dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. Apesar de não ser considerada uma doença em si, pode ser um alarme de muitos distúrbios como alergias, obesidade, doenças cardíacas, ansiedade, depressão e até mesmo Parkinson e Alzheimer. Porém, se ela continuar insistindo sem que nenhuma destas doenças seja diagnosticada, é porque provavelmente os maus hábitos na hora de dormir estão provocando o problema. E daí não tem remédio que dê jeito ou chá milagroso que faça pegar no sono, pois o segredo está na mudança de hábitos.

O cérebro funciona como um grande editor de informações e a mente funciona como um processador. O cérebro foca nos detalhes mais importantes e lhes dá significado emocional. Por isso, é preciso administrar as informações recebidas antes de dormir, pois elas interferem diretamente na qualidade do sono. E isso depende muito das notícias que são consumidas antes de ir para a cama, isso inclui filmes, séries, jogos de videogame e acessos à internet.

Dependendo do turbilhão de informações que invadem o cérebro, o tempo de sono reparador é diretamente afetado e quem não dorme o suficiente pode apresentar lapsos de memória e uma percepção visual distorcida devido a uma falha de comunicação temporária entre os neurônios, de forma bem semelhante à embriaguez. Além disso, a falta de sono reduz a capacidade de funcionamento dos lobos frontais, causando lapsos cognitivos e redução do desempenho das funções executivas. Isso prejudica a forma como percebemos e reagimos ao que acontece ao nosso redor além de acarretar prejuízos cognitivos, como perda de memória e dificuldade de concentração.

Uma noite mal dormida provoca irritabilidade durante o dia e interfere na liberação de cortisol e ACTH, hormônios responsáveis pelo estresse que ainda reduzem a produção de células de defesa responsáveis pela tão importante imunidade. No mais, ainda causam uma tremenda confusão cerebral capaz até de acelerar o envelhecimento das funções mentais.

Por essas e outras que diversos estudos já comprovaram que a sesta (aquela dormidinha rápida de até 20 minutos após o almoço) previne de 2 a 10 anos o declínio cognitivo no ser humano. Em contrapartida, quem dorme menos que 6 horas por noite tem maior risco de declínio cognitivo em 10 anos.

Agora que você já tem motivos de sobra para cuidar com mais carinho do seu sono, lembre-se que existem diversos tratamentos para a insônia e algumas pessoas necessitam sim de acompanhamento mais estruturado e a longo prazo. Já outras, conseguem dormir melhor apenas com uma rotina estruturada ou adoção de hábitos benéficos, o que é chamado de higiene do sono.

Neurodicas

  • Não acesse informações que possam não te agradar, por pelo menos duas horas antes de ir para a cama;
  • Organize-se para ir mais cedo para a cama;
  • Não fragmente o sono;
  • Procure se deitar e acordar sempre no mesmo horário, mesmo que a rotina tenha se alterado;
  • Não exagere em café, chás e refrigerantes durante o dia;
  • Pratique suas atividades físicas preferencialmente durante o dia;
  • Opte por atividades relaxantes à noite como meditação e técnicas de respiração lenta;
  • Use travesseiros que alinhem o pescoço e o tronco;
  • O colchão deve se adaptar às curvas anatômicas do corpo e ser confortável;
  • Entenda que o bom sono da noite, garante o excelente dia de amanhã e que se manter acordado durante a noite não irá ajudar a solucionar os problemas da manhã seguinte.
Referência:
Chung KF et ao. Sleep hygiene education as a treatment of insomnia: a systematic review and meta-analysis. Fam Pract. 2018;35(4):365–375.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

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