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Pensar positivo para passar pela quarentena com tranquilidade

Fernando Gomes

27/03/2020 04h00

Evocar emoções positivas pode fazer bem para os pulmões, coração e ainda evita a depressão

 

Crédito: iStock

E tudo isso é comprovado pela ciência.

Uma das provas veio da Universidade de Harvard, nos EUA quando um grupo de médicos descobriu que pensar positivo poderia fazer bem para os pulmões. Depois de avaliarem mais de 600 homens, todos na faixa de 60 anos de idade, conseguiram constatar que os mais bem-humorados apresentavam um sistema imunológico mais resistente às doenças pulmonares se comparados a um grupo de homens da mesma idade, que viviam sob estresse.

O coração também já foi um outro órgão estudado que, comprovadamente, bate melhor em pessoas positivas. Essa confirmação veio da Holanda, quando pesquisadores do Instituto Delfland de Saúde Mental, monitoraram por 15 anos homens com idade entre 60 e 80 anos. A incidência dos que tiveram problemas do coração, como infarto, foi menor entre os otimistas que apresentaram risco 55% menor de desenvolverem doenças cardíacas.

Há 22 anos eu estudo o cérebro, os hormônios e a medicina comportamental. Posso garantir que pessoas com disposição para olhar para a metade do copo mais cheia tendem a cuidar melhor da saúde, a praticar mais exercícios físicos e a se alimentar melhor. E há ainda uma outra explicação sobre a relação entre os hormônios e o estresse –problema que os otimistas parecem enfrentar melhor que os pessimistas. Os longos períodos de irritação e melancolia influenciam na secreção de alguns hormônios. Durante um período de estresse crônico, por exemplo, a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal ocorre e nas glândulas supra-renais aumenta a produção de cortisona um hormônio imunossupressor, que interfere na ação do sistema imunológico. Uma péssima ideia para este momento, não é mesmo?

Por isso que quem consegue evitar o estresse, tem melhor competência imunológica para se recuperar das doenças e para passar por situações difíceis.

Eu vou mais longe. Além dos pensamentos positivos, já sabemos também, através de exames de ressonância magnética, que quando uma pessoa faz uma oração, o cérebro se comporta fisicamente de maneira diferente. Alguns trabalhos científicos feitos em UTI (Unidades de Terapia Intensiva) já comprovaram, estaticamente, que pessoas que recebem oração, mesmo sem saber que estavam recebendo, apresentavam menos complicações se comparadas a outros grupos de pacientes que não recebiam.

Uma outra pesquisa ainda encontrou a relação positiva entre religião e saúde mental para o tratamento da ansiedade e da depressão. Feito na Universidade de Seattle, EUA, o estudo mostrou melhora nos sintomas depressivos e de ansiedade, que ocorreu mais cedo no tratamento quando foi incorporada a fé. Depois dos resultados, os autores recomendaram integrar crenças e comportamentos religiosos para afetar positivamente a saúde mental.

E nada disso tem ligação com determina religião, mas tem a ver com a fé, sobretudo com as boas energias que evocamos quando centralizamos nossas emoções em algo que desejamos muito. Por isso tudo que agora é um excelente momento para centralizar emoções e sentimentos positivos, cuidar da saúde mental e acreditar que não há mal que dure para sempre. Ative o poder de resiliência que existe no seu cérebro. Dias melhores virão.

Neurodicas

  1. Dedique um momento do dia para sentar confortavelmente, fechar os olhos, respirar com calma e conversar com seu eu interior. Tudo tem começo, meio e fim. Isso é normal.
  2. Se você acredita em Deus, estabeleça conexão mental com ele; se você é ateu ou agnóstico, conecte-se mentalmente com a energia da natureza. Este exercício constante faz com que seu cérebro funcione de uma forma menos ansiosa e mais segura.
  3. A inteligência intrapessoal é produto da organização dos nossos pensamentos, dos nossos estudos e experiências pessoais. Freud, ao desenvolver a psicanálise, utilizou essa habilidade. Como a quarentena pode estar desafiando suas emoções, aproveite o momento para treinar sua inteligência intrapessoal e passe por ela com tranquilidade.
Referência:
Paukert A et al. Integration of Religion Into Cognitive-Behavioral Therapy for Geriatric Anxiety and Depression. J Psychiatr Pract 15 (2), 103-12 Mar 2009

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

Fernando Gomes