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Por que as pessoas beijam tanto no Carnaval? Neurociência ajuda a explicar

Fernando Gomes

21/02/2020 04h00

Crédito: iStockEstá aberta a temporada de pouca roupa no corpo e muita sensualidade da mente. O Carnaval ganha, além do samba, outra "dança" famosa nos dias de folia: "a dança do acasalamento". Esta mudança de comportamento tem explicação e está dentro do cérebro do ser humano.

O cérebro, por ter seu forte instinto ligado ao olhar para buscar informações, fica mais sensibilizado ao interesse pelas curvas do corpo, em especial quando elas estão mais expostas. Isso o torna ainda mais "vulnerável" com a maior entrada dessas informações visuais. Processada nos lobos occipitais, que é a parte visual primária do cérebro, ali se formam as imagens que serão refletidas em áreas de associação e no sistema límbico, que é o circuito emocional. É nesse acúmulo de emoções que os casais podem ser envolvidos no carnaval.

Nesta época, certas áreas do cérebro acabam sendo "desligadas" tanto nos homens como nas mulheres, para que outras áreas possam ser ativadas na fase da conquista. São elas, em especial, as amígdalas nos lobos temporais –o centro da "defesa" de fuga ou luta que são "desligadas" e os centros do prazer são ativados como a área tegmental ventral. Nas mulheres, o córtex órbitofrontal lateral esquerdo, responsável pelo controle de desejos elementares, silencia-se também. E então elas conseguem se despreocupar dos pudores e simplesmente se deixam levar pela sedução.

De modo geral, o ser humano é ligado em marcos, em especial em datas e eventos específicos. Uma festa como o Natal, por exemplo, está ligada a união de família e amigos e desabrocha o cunho social. Em finais de ano, as pessoas costumam ajudar mais, fazer caridades, etc. Já o Carnaval é famoso pelas músicas provocantes que remetam ao sexo, ao corpo, principalmente o feminino, que fica em grande exposição. Isso tudo leva uma certa "frouxidão" social e naturalmente as pessoas já se deixam levar pela ideia de que é uma época de beijar sem muitos critérios. Isso porque, quando deixamos o cérebro exposto ao olhar do corpo quase nu a sedução fica ainda mais aflorada.

Neurodicas

  1. Sorria sempre. O sorriso, que é o primeiro ganho neurológico aos dois meses de vida, provoca sensação de bem-estar, aceitação e conforto para quem recebe. Porém entender que o não é não para qualquer tipo de aproximação;
  2. Entenda o poder do beijo, os benefícios emocionais e os riscos inerentes às doenças infectocontagiosas (herpes e mononucleose, por exemplo). O beijo transmite carinho e um bom beijo na boca provoca troca emocional intensa. A sensibilidade dos lábios é uma das maiores que podem ser sentidas pelo cérebro humano;
  3. Seja sincero. Os relacionamentos sinceros fazem com que a qualidade de troca de informações dos cérebros dos parceiros seja livre, rápida e intensa. Assim, o amor e o prazer podem se manifestar em toda sua plenitude.
Referências:
Cogan GB et al. A kiss is not a kiss: visually evoked neuromagnetic fields reveal differential sensitivities to brief presentations of kissing couples. Neuroreport. 2015 Sep 30;26(14):850-5.
Pinto FC. Neurociência do Amor. Editora Planeta, São Paulo, 2017.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

Fernando Gomes