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Além do corpo: atividade física regular ajuda na reabilitação neuronal

Fernando Gomes

07/02/2020 04h00

O cérebro também se beneficia do exercício físico

Crédito: iStock

A prática regular de atividade física faz muito bem para o corpo, para a mente, para a autoestima e para a socialização. Eu poderia passar horas escrevendo aqui sobre o tema e citando estudos e benefícios que o exercício físico traz para qualquer pessoa, mas hoje, o assunto é mais focado: como a prescrição do exercício físico pode ser ainda mais específica de acordo com a necessidade clínica do paciente.

De forma pioneira, um estudo realizado na Alemanha mostrou que os exercícios de alta e de baixa intensidades influenciam as redes cerebrais cognitivas de maneiras diferentes.

Após analisar a prática de exercícios em 25 pessoas, foram constatados que a periodização traz mudanças positivas no humor, na afetividade e no sistema de recompensa cerebral, além de alterar o sistema sensório-motor e estimular as conexões fronto-parietais.

Quem praticou exercícios de baixa intensidade demonstrou aumento na conectividade dos neurônios em repouso, enquanto que após a prática de exercícios físicos de alta intensidade houve alterações sensório-motoras e no sistema de recompensa.

O estudo mostrou que exercitar-se traz mais plasticidade ao cérebro para processos cognitivos e de atenção. Por isso, a prática regular de atividade física ajuda na reabilitação e no tratamento de pacientes com distúrbios neurológicos, como aqueles com Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN), doença com sintomas semelhantes ao Alzheimer e ao Parkinson, mas que após cirurgia, permite que o paciente recupere a qualidade de vida.

A customização do exercício também faz toda a diferença nos pacientes de HPN. Outra pesquisa bem recente, conduzida pelo Grupo de Hidrodinâmica Cerebral da Divisão de Neurocirurgia Funcional do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, apontou um progresso significativo nos pacientes que se exercitaram na própria residência ao longo de 10 semanas comparados aos que seguiram no sedentarismo.

Os ganhos em equilíbrio, capacidade funcional e atividades do dia a dia foram significativos, mostrando que o trabalho do fisioterapeuta e do educador físico dentro do grupo multidisciplinar que assiste o paciente com HPN é determinante para a recuperação da qualidade de vida.

As evidências comprovam o que muita gente já sabe, mas não custa lembrar: "se mexer é palavra de ordem". E isso vale como prevenção, como reabilitação e como ponto inicial de quem quer viver mais e melhor, sempre!

Referências
Modesto PC, Pinto FCG. Home physical exercise program: analysis of the impact on the clinical evolution of patients with normal pressure hydrocephalus. Arq Neuropsiquiatr. 2019 Dec;77(12):860-870.
Schmitt A, et al. Brain Plast. Modulation of Distinct Intrinsic Resting State Brain Networks by Acute Exercise Bouts of Differing Intensity. 2019 Dec 26;5(1):39-55.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

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