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Música pode ativar o circuito do prazer cerebral semelhante ao sexo

Fernando Gomes

24/01/2020 04h00

Crédito: iStock

A relação do cérebro com a música funciona mais ou menos como jogo de adivinhação, no qual o nosso prazer em ouvir uma canção depende da possibilidade de prever o que está por vir.

A medida em que as notas aumentam e diminuem, os nossos centros de recompensa cerebrais são ativados. Eu explico melhor: é como se isso servisse de exercício para prever o que vai acontecer, se você acertar, será recompensado porque o nosso cérebro gosta do ponto ideal entre o monótono e o aleatório.

Para testar as reações psicológicas das pessoas à música imprevisível, um grupo de pesquisadores da Northeastern University, em Boston, nos EUA, expôs participantes a testes de diferentes escalas musicais, as quais as únicas pessoas que poderiam reconhecer essas escalas eram compositores e profissionais da música. Para entender e aprender como o cérebro avalia por que algo é agradável, os cérebros dos participantes foram avaliados através de exames de ressonância magnética e as atividades cerebrais analisadas se mostraram serem as mesmas que são ativas durante o sexo ou ao ingerir uma comida favorita. Ou seja, os estímulos são os mesmos nesse sistema de recompensa cerebral.

Em outras palavras, a quantificação utilizada para medir o prazer do cérebro indica que aprender a "gostar" de uma música pode acontecer simplesmente quando se começa a aprender a prever o que pode vir em seguida –e isso é possível em vários aspectos da vida em diferentes centros de prazer. Esse tipo de informação pode ajudar a moldar coisas como musicoterapia e, em geral, expandir nossa compreensão de como a música muda nosso cérebro.

Se a música está em toda parte, essa arte cultural pode trazer muito mais benefícios e prazeres ainda nem descobertos. Mas, o que já sabemos e podemos explorar é que quando o circuito de recompensa inunda o cérebro, ele trabalha muito mais feliz sob um estado de prazer abundante, basta descobrir, intimamente, o que move cada um!

Neurodicas

  1. Ouça músicas que você gosta, elas representam uma forma natural de manter um bom estado emocional;
  2. Experimente também ouvir estilos musicais que não são sua primeira opção, com isso você vai explorar novos gatilhos para acionar o circuito cerebral do prazer trazendo mais momentos de entusiasmo e alegria para sua vida.
Referência:
Belfi AM, Loui P. Musical anhedonia and rewards of music listening: current advances and a proposed model. Ann N Y Acad Sci. 2019.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

Fernando Gomes