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Parte do cérebro das mulheres que usam pílula pode ser menor, diz estudo

Fernando Gomes

27/12/2019 04h00

Segundo a ONU Organização da Nações Unidas (ONU), cerca de 150 milhões de mulheres que fazem uso de contraceptivos orais em todo o mundo estão sujeitas a terem parte do cérebro diminuída em até 6%

Crédito: iStock

Segundo um estudo americano recente da Faculdade de Medicina Albert Einstein, o hipotálamo –região do cérebro responsável por produzir hormônios e ajudar a regular algumas funções como a temperatura interna do corpo, humor, apetite, desejo sexual, ciclos de sono e até a frequência cardíaca — pode ser reduzida cerca de 6% em mulheres adeptas desse método contraceptivo.

A explicação mais evidente para esta relação é que o hipotálamo entenda que não precisa produzir hormônios sexuais ao receber a pílula. Mas, são esses hormônios que promovem o crescimento dos neurônios, ou seja, sem eles essa função pode ficar prejudicada, provocando redução no tamanho da região.

A boa notícia é que nenhuma mulher deve parar de tomar a pílula com base apenas nesses resultados. Essa alteração cerebral não afeta todo o cérebro nem prejudica funções mentais importantes e é bem provável que esse quadro seja revertido facilmente após a interrupção no uso do método contraceptivo –caso necessário.

Os efeitos negativos que a pílula provoca no cérebro se deve ainda a relação dos hormônios sexuais, como o estrogênio, que possuem forte poder de influência no sistema nervoso das mulheres. Porém, ainda há muito para ser estudado e avaliado tanto pela medicina quanto pela neurociência comportamental. O importante é ter uma boa autoavaliação e dividir as experiências e percepções sempre com o seu médico. Lembre-se de que cuidar da sua saúde mental é tão importante quanto zelar pelo seu lado físico.

O estudo

Os resultados foram apresentados durante o encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte depois de avaliar imagens de ressonância magnética de cerca de 50 mulheres, das quais 21 tomavam a pílula combinada (composta por estrogênio sintético e progestina). Todas as participantes fizeram os exames, além de participaram de entrevistas online e testes padronizados para avaliar aspectos de humor, personalidade e funções cognitivas.

Referência:
https://gizmodo.com/new-study-links-birth-control-pill-to-brain-differences-1840204635

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

Fernando Gomes