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Livre-arbítrio: afinal, nós temos?

Fernando Gomes

18/10/2019 04h00

Crédito: iStock

A possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante é chamada e conhecida por livre-arbítrio. Pelo lado físico, a ciência já sabe que o cérebro toma decisões antes de nós mesmos para poupar energia e preservar a espécie.

É claro que somos donos de nossas escolhas (e escravos das consequências). Mas, após inúmeros estudos, a neurociência concluiu que o cérebro faz a opção sobre o que vamos fazer milésimos de segundo antes do momento em que acreditamos estar decidindo alguma coisa. Ou seja, não temos controle nem poder de decisão, já que elas não são 100% conscientes.

O nosso lado mental trabalha em parceria com o físico e, nesse contexto, o cérebro é nosso aliado para conseguirmos aquilo que queremos. E quando paramos e planejamos as metas que iremos executar, tiramos maior proveito dessa capacidade do órgão de tomar decisões quando este está livre dos instintos e com consciência. Desse modo, ele consegue arquitetar planos mais assertivos para atingir os objetivos. Essa é a força do trabalho em conjunto e por isso funcionamos na base do acerto e do erro.

Nossas intuições vão se formando sempre que damos ao cérebro uma grande carga de informações. Desse modo, ele vai se moldando e criando parâmetros para se portar e tomar decisões. É assim que nossas ações vão se tornando parte da nossa liberdade, mesmo estando enraizadas em nossos cérebros.

Neurodicas:

  • Fique em silêncio
    Se você precisa tomar uma decisão importante, permaneça em silêncio e forneça ao seu cérebro o máximo de informações sobre o assunto para que ele decida por uma opção mais plausível e relevante.
  • Mantenha o foco
    É possível treinar o cérebro para que as decisões sejam mais rápidas e eficazes com técnicas de gerenciamento de pensamentos. Ao interpretar e classificar seus pensamentos, o cérebro consegue perceber o que é trivial e o que é passageiro e, por meio do autoconhecimento, podemos reduzir a ansiedade e nos focarmos apenas naquilo que realmente importa.

Para saber mais sobre livre-arbítrio:

Wisniewski D, Deutschländer R, Haynes JD. Free will beliefs are better predicted by dualism than determinism beliefs across different cultures. PLoS One. 2019 Sep 11;14(9):e0221617.

Sobre o Autor

Fernando Gomes é neurocirurgião e neurocientista, graduado em medicina pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Concluiu Residência Médica em neurologia e neurocirurgia no HC (Hospital das Clínicas) da FMUSP e possui título de especialista em neurocirurgia pela SBN (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia). É pós-graduado em neurocirurgia pediátrica pela World Federation of Neurosurgical Societies, doutor em neurotraumatologia experimental pela FMUSP e professor livre-docente pela disciplina de neurocirurgia da FMUSP. Autor de 8 livros ligados à medicina e ao comportamento humano, consultor e apresentador do quadro “E agora, doutor?” do programa “Aqui na Band” da Rede Bandeirantes de Televisão.

Sobre o Blog

Com temas ligados a medicina e a neurociência, esse espaço é dedicado a viajar pelo cérebro humano e desvendar os mistérios da mente. Com explicações simples e embasadas cientificamente, por aqui é possível passear pela maior e mais poderosa máquina que mora dentro da cabeça de todos os seres humanos. E, ao desvendar os aspectos físicos e comportamentais das habilidades, emoções e necessidades do comportamento humano fica mais fácil aplicar técnicas e novos hábitos para que rotina seja leve, saudável e prazerosa e turbinada em todos os aspectos.

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